quinta-feira, 23 de março de 2017

O que a psicanálise não entendeu?

    Psicanálise, a arte de considerar uma teoria sobre o discurso do paciente, mas jamais uma teoria do discurso do paciente. Em outras palavras, a arte de ensurdecer para o que o paciente diz, e só ter ouvidos para uma teoria que se aprendeu na academia sobre o que o paciente manifesta. No final, o analisando só tem duas opções, ou aceitar que o analista lhe trouxe uma espécie de revelação divina sobre ele, ou que deverá procurar alguém que finalmente lhe ouça de verdade. 

    O que a psicanálise não entendeu? É que um paciente quando procura por ajuda, ele tanto não quer ouvir verdades estranhas a si próprio, quanto também não quer que alguém concorde com as próprias verdades que traz. Se ele quisesse o primeiro caso, poderia procurar por um padre que lhe dissesse o que Deus reserva para sua vida, ou se fosse o segundo caso poderia perfeitamente ficar em casa, relatando seus causos para as paredes de seu quarto, os melhores ouvintes que sabem concordar com tudo que dizemos. Quando um paciente procura por ajuda, no fundo o que ele quer é alguém que lhe esfregue algo muito singular na sua cara, que possa lhe dar um tabefe doloroso quando, mediante a mais pura argumentação lógica, é cabalmente convencido de uma vez por todas do contrário daquilo que era a única coisa que conseguia enxergar diante dos olhos (e que constituía propriamente seu demônio), alguém que lhe puxe todos os seus tapetes, alguém que questione tão criticamente o nexo lógico das suas próprias ideias e preconceitos, que no fim ele possa vir a padecer até mesmo de uma crise de identidade. É aqui, e só aqui nessa vertigem, despojado de tudo que pra ele sempre foi tão certo, sempre mereceu sua obediência cegueta e mesquinha, que então deverá sentir o peso do que é assumir uma responsabilidade sobre o que deverá fazer consigo mesmo pelo futuro que tem a frente, responsabilidade pelo próprio destino, isso é, sentirá liberdade em conceber o que deve ser a vida para si próprio, independente de todo discurso que lhe moldara de modo opressor e acriticamente no passado. 

    Perigoso isso? Certamente, e eu me pergunto, será que temos psicólogos hoje capazes disso? - Um tal trabalho desses é o que Sócrates por exemplo fazia entre os gregos, e acabou sendo condenado por estremecer a ordem social vigente. - Será que isso ainda seria um psicólogo? Ou antes, primeiramente um grande amigo? Além do mais não é todo paciente que é disposto a encarar isso de frente. Porém, justamente por isso não ser pra qualquer um que a psicanálise sobrevive até hoje, oferecendo a seus pacientes no máximo um consolo para suas reclamações.

                                                                                          Philip G. Mayer

Sigmund Freud, pai da psicanálise.

domingo, 8 de maio de 2016

Neurose e Verdade

     Como contribuição à bela palestra de Christian Dunker (link do youtube: https://www.youtube.com/watch?v=SWvjHPszmqw) e partindo de uma perspectiva filosófica, gostaria de propor uma hipótese que acredito ser um fundamento comum que propiciaria as neuroses, ou seja, qual seria seu terreno fértil – a condição para – pois não é de meu intuito e nem conhecimento falar da noção de neurose propriamente, mas apenas com base na explanação de Dunker apresentar uma hipótese filosófica do que seria uma condição prévia e necessária à mente do indivíduo que poderá vir ou não a desenvolver uma possível neurose.

Precisamente, a condição para o surgimento da neurose seria uma pressuposição que o desdobramento cultural da ética cristã remanescente somada ao legado do ‘cogito’ cartesiano infiltrou no conhecimento de senso comum do ocidente: pressupor de um lado a existência de um sujeito subjetivo que raciocina sobre si mesmo e o mundo, e de outro, um suposto si mesmo e mundo objetivamente verdadeiros que devem poder se revelar ao longo do tempo sempre os mesmos para si e a todos. Quando se crê que existe uma verdade já dada e que então bastaria somente conhecê-la isso traz grandes consequências na maneira com que nos relacionamos com as impressões e sensações que obtemos sobre tudo.

Utilizando-me do exemplo citado por Dunker do sofrimento do monstro de Frankenstein, o zumbi que tem consciência de que há algo a ser investigado sobre si mesmo tem como pressuposto a estrutura mental de fundo cristão-cartesiano que relatei antes. Assim, um sujeito munido de tal pressuposto ao se deparar com o gigantesco acumulado de conhecimento que a cultura produziu e produz pela história, sente-se impotente para investigar as supostas verdades ocultas que crê existir, logo, como uma autodefesa que cria, torna-se um cético radical a priori sobre o potencial do conhecimento humano (aliás, essa vem a se tornar uma das justificativas para a manutenção do estado de ignorância generalizado que se vê atualmente), essa postura cética a priori produz a consequência de que quaisquer sensações que o sujeito percebe tornam-se para ele apenas um acumulado de eventos sem nexo, uma massa disforme da qual ele é um mero expectador solitário na intimidade de suas ideias que não estabelecem mais conexão alguma com tudo o que sente. Daí o estado neurótico descrito na metáfora do “zumbi”: o indivíduo impotente por crer em uma suposta verdade que se esconderia no acúmulo do conhecimento humano no qual, devido a esse próprio acúmulo em demasia, não crê mais ser capaz de apreender e compreender a verdade. Eis aí também muito da causa do desprezo que se vê na atualidade pelos livros, pelo estudo, pela aprendizagem, e, em última análise, pela própria razão humana.

A sociedade ocidental desde muito tempo se desenvolveu sobre a base do primado da verdade como causa e efeito de uma esperança na conquista de um paraíso onde não fosse necessário mais qualquer esforço de responsabilidade por parte do indivíduo, porém, à medida que o conhecimento cresce, a utopia paradisíaca torna-se cada vez mais distante. Isso porque o que o conhecimento faz não é nos aproximar cada vez mais de uma verdade objetiva, mas multiplicar cada vez mais verdades subjetivas.

Uma solução?

Antes de tudo, é necessário algo que infelizmente é difícil aceitar devido ao peso de toda cultura que carregamos nas costas já há alguns séculos: compreender que a realidade e toda a verdade é antes uma invenção humana porque deve passar necessariamente por uma forma de linguagem. Uma linguagem é um sistema simbólico onde cada símbolo representa de modo puramente convencional uma prática de uso de um objeto ou um objeto no mundo, sendo este último sempre reduzido às suas práticas de uso.

- Um objeto não é nada mais que a representação de um passado de práticas de uso dele próprio por onde somente daí pode obter o sentido de sua referência ou símbolo em uma linguagem. Disso, infere-se que toda realidade, por sua vez, é alicerçada em uma complexa rede de práticas sociais. Tais práticas são normas que no decorrer do tempo e da história os indivíduos estabelecem, recebem e transferem entre si em suas relações sociais, para o fim de que possam entender-se mutuamente sobre o modo em que deverão se utilizar das coisas. Tais normas, por último, visam unicamente a autopreservação da espécie humana. -

Exatamente na maneira em que um objeto é utilizado funda-se propriamente a realidade, seja como uma herança social-histórica, seja como uma criação do sujeito. Na capacidade criativa sobre o uso que se faz das coisas configura-se toda a realidade subjetiva do sujeito, ou seja, tudo aquilo que para ele é uma representação das coisas ainda não reconhecida pelo público – sua criação – e é somente no diálogo com aquilo que já é público (e todo diálogo é público, seja uma conversa, uma leitura, etc.) que conquistará tal reconhecimento. A subjetividade somente pode expressar-se em liberdade mediante o reconhecimento do público, e para isso, deve ser capaz de apresentar suas justificativas, o público as espera, pois também anseia libertar-se de suas amarras ou então apenas abafará os subversivos que ameaçarem suas conquistas e o legado da cultura. A criação de novas práticas constroem novos meios de vida e realidade, por conseguinte, enriquecem o público libertando-o de velhas normas, velhas práticas que fazem velhos objetos e verdades submetendo todos a sua lei. Mas como é possível a criação de novas práticas? Como justificá-las? O caminho é unicamente a busca pelo próprio conhecimento. Conhecer é legitimar a si mesmo no mundo. O que é exposto aqui não é nada mais que o próprio fim do conhecimento: libertação. Quando se descobre porque algo é como é, descobre-se como ele poderia ser – e também como deve ser.

Portanto, o ato de narrar ou expressar-se de qualquer outro modo para si mesmo ou outrem, constitui uma revelação de suas próprias práticas que lhe determinaram e determinam. Práticas constituintes do sentido de objetos. Objetos constituintes de verdades. O ato de expressar o que se sente não é de modo algum um tipo de verdade cuja qual seria uma espécie de revelação definitiva do que já estaria dado e subjacente à condição do sujeito – esta não há! – mas um ato de criação contínua que se realiza a todo o instante a partir do sujeito. Já no ato dessa criação o indivíduo é propriamente determinado pelo que criou. A criação propõe uma determinação a qualquer interlocutor presente no qual inclusive pode ser ele mesmo. Assim, verdade no mais fundo é determinação, normatização das práticas de uso que fazemos das coisas. Práticas implícitas em cada palavra pronunciada, cada gesto, cada acepção – em tudo isso há uma longa história da cultura por de trás. História que nos priva de nossa liberdade na mesma medida em que não a conhecemos.

No neurótico, porém, a verdade teria o sentido da velha religião, a ideia de um ente esclarecedor revelável a todos como a luz a iluminar a ignorância humana, quando no fundo as premissas de sua percepção e os fundamentos de sua realidade é que deveriam ser investigadas no mais urgente, sendo apenas o conhecimento a lhe dar poder para isso. A verdade como um Deus para o neurótico... Porém, esse Deus está morto, eis aí então uma boa hora para abandoná-lo de vez e iniciar agora uma investigação acerca daquilo que restou de si mesmo: seus próprios vícios. Vícios os quais até o instante lhe pareceram meras obviedades, e que, no entanto, são puro e simplesmente sua própria verdade revelada no tempo que transcorre.
                                                                  
                                                                     Philip G. Mayer




quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O Moderno Romântico Pós-moderno

    Fenômenos da nossa pós-modernidade: a democratização da informação cada vez maior faz com que o pensamento dogmático hoje seja transposto para a esfera religiosa tornando-se um assunto de cunho pessoal ou então descambando inevitavelmente para mera tentativa brega de “revelação”. Por outro lado, o sujeito agora é cético em relação a qualquer método que se desenvolva para constatar verdades, seja ele qual for. Mas o que esse sujeito percebe (e na maioria das vezes de forma um tanto romântico abstrata) é o que ainda ele quer que seja uma lei impessoal, devendo valer a todos, e se questionado quais critérios se utiliza para dizer o que diz, se enfurece. Sim, pois na medida em que é necessário averiguar as premissas que se toma para pronunciar a natureza da realidade é inevitável que também se tenha de questionar o sentido do próprio método que se está utilizando colocando a si próprio como objeto de estudo no fio da navalha, e constatando o quão é extremamente fácil permanecer igualmente religioso como um típico moderno do século XIX. 

                                                                          Philip G. Mayer 


domingo, 16 de agosto de 2015

Cuidado! Um inimigo passou para o teu lado!

    Na ética, quando defendemos princípios de conduta, isso quer dizer que estamos defendendo um conjunto de valores que acreditamos que se o ser humano os seguisse ele passaria a viver melhor, esse é o tipo de ética chamada “deontológica”, isso é, aquela que confere o valor de uma ação na sua intenção, e não na sua consequência. Um exemplo de deontologia que coroou a modernidade é a ética de Kant (o valor de uma ação finca-se na intenção do agente em satisfazer as necessidades universais na posição de um legislador universal. Ou, dito aqui de forma pragmática, a ação boa para Kant é aquela que, após estarmos suficientemente informados sobre o que é necessário fazer para que todos possamos viver melhor, buscamos cumprir tal função que possui seu fim no bem estar da humanidade). Éticas que valorizam a ação na sua consequência são chamadas éticas “consequencialistas” como é o caso do “utilitarismo” (o valor da ação encontra-se no quanto ela é capaz de produzir felicidade para o maior número de pessoas possível) ou o “pragmatismo” (o valor de uma ação encontra-se no que ela produz de resultado prático no mundo). Muito bem, quando postulamos princípios éticos levando em conta o modo deontológico da ética, é bom observarmos aqueles que não nos apoiam em tais princípios, estes estarão nos informando sobre o que é que se trata propriamente aquilo de que nós não concordamos e/ou estamos atacando. Do mesmo modo, é bom observarmos aqueles que nos apoiam em tais princípios, estes estarão nos informando sobre o que é que se trata propriamente aquilo de que estamos defendendo. Precisamente neste segundo caso é que pode advir uma sutileza que nem sempre é de conhecimento natural da nossa parte. Não se trata de estratégia inimiga, mas é mais profundo que isso e vale a atenção:

    As pessoas são o espelho das nossas concepções éticas. 

    - Procure sempre observar quem se posiciona ao teu lado, pois esse perfil tem o poder de apoiar a ti até mesmo naquilo em que pra ti pode não ser de consciência imediata, mas que também se faz presente dentro de ti constituindo o que defendes sob alguma outra perspectiva talvez inconveniente! Perspectiva que se faz presente em um recanto obscuro da inconsciência onde somente a visão de um outro poderia reconhecer. E esse elemento inconsciente pode ser justamente o fator causa que encanta o perfil que te apoia! É exatamente nesse momento que em alguma situação podes te surpreender contigo mesmo ao levar um susto no notar determinado perfil de pessoa que tinhas pra ti como antiética te apoiando no que dizes. É o autoconhecimento por intermédio do outro que aflorou em ti. Viste alguém te apoiando no que dizes, mas para tua surpresa não compartilhavas em nada quaisquer concepções éticas com esse perfil em que eram claras as divergências entre o que ele e tu defendiam até então. É esse perfil que te fará remeter a ti mesmo e questionar ainda mais uma vez o que é realmente que estás querendo dizer no que tange ao resultado pragmático do que defendes.    

                                                                          Philip G. Mayer


 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Sobre Deus e a Razão

    Deus existe? Se o concebemos de alguma maneira então ele existe, mas até que ponto ou de que forma ele influenciaria nossa realidade? Aí depende da maneira como nos relacionaríamos com ele e, particularmente falando, a minha resposta para esta segunda pergunta é: se Deus existe ou não, atribuir a ele alguma influência sobre o mundo por algum meio lógico é uma tarefa simplesmente impossível. Portanto, de que forma me considero um agnóstico? Tenho amigos religiosos que certamente já devem ter pensado de mim: "o Philip é um materialista que ama as coisas do mundo", como se as coisas do mundo ou suas supostas essências fossem o que são na eternidade do tempo “coisas em si”. Ledo engano, não amo as coisas do mundo, pois se não andaria apavorado com a fugacidade própria delas, não acredito em "coisas" nem em "essência de coisas", tudo isso é fugaz, de permanência totalmente inverificável. Amo, isso sim, é o mistério das coisas do mundo, no que a cada instante uma coisa se resoluciona com a certeza de sua instabilidade característica e eterna no universo. Essa noção do real por si só já me preenche inteiramente a tal ponto que se torna indiferente a mim conceber que haveria ou não alguma força diversa de tudo que condicionaria toda essa nossa realidade insondável.

    Ao contrário, essa vontade de que tenha de existir uma força do tipo é que me parece uma falta de compreensão do mundo em que estamos que se traduziria em ou o indivíduo querer livrar-se das dores dele mediante a esperança, o que o torna covarde para melhorar a condição de sua vida enquanto a tem, ou então querer controlar totalmente as resoluções das coisas no mundo a fim de vagar pela terra mais tranquilamente; duas tarefas que possuem em comum a negação da realidade que nos cerca. Se por meio da imaginação podemos vislumbrar uma metamorfose rápida das coisas na superfície da terra e assim julgar que é praticamente automático entender que haveria uma força externa condicionante dessa metamorfose, tomamos então a postura arrogante e ingênua de conceber que tudo se transforma, menos o observador, isso é, nós que observamos de fora da realidade essa transformação das coisas dispostos em um lugar em que realmente somente um Deus poderia estar. A vontade de que tenha de existir Deus como uma força causal e condicionante de todas as coisas no fundo não passa de uma vontade propriamente de ser Deus. 

    Por outro lado tem-se também a concepção de Deus como um causador condicionante absoluto de toda a realidade permanecendo ele mesmo um mistério insondável pela nossa razão lógica, de modo que ao constatarmos a cada passo a falseabilidade da razão nos restaria unicamente a fé no criador e controlador de todas as coisas. Que a razão tenha sido falseada pelos tempos e que não tenhamos muita esperança e nem sentido em tentarmos elabora-la de forma mais perene isso também é um fato, mas de modo algum isso tornar-se-ia uma justificativa para que a abandonássemos em prol de cultivar uma fé pura e cega num divino misterioso em que não nos caberia sequer saber suas intenções para nós e o mundo. Portanto, o que é preferível, a fé cega em uma força (ou forças) infinitamente misteriosa ou a tentativa, mesmo que falha, de construir um mundo melhor no continuum da vida por intermédio de nossa razão enquanto a possuímos em vida?

                                                                           Philip G. Mayer 


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Conhecimento Atrela Moral

    O conhecimento sobre a realidade é uma construção cujo os alicerces se constituem em uma crença ou um conjunto de crenças (paradigma). Quando um conhecimento teórico é posto em prática ele necessariamente atrela junto a si uma conduta moral (o livre arbítrio entre poder optar por realizar esta ou aquela ação). Sistemas teóricos que visam descrever nossa realidade podem fornecer uma visão de mundo maravilhosa e instigante que nos convida a agir a partir daquilo que tomamos como conhecimento verdadeiro, é exatamente aí que descobrimos então o quanto que uma crença sobre a realidade (e aqui incluo as ciências além da religião, do espiritismo e qualquer outra filosofia que almeje uma descrição verídica do que é o real) torna-se perfeitamente uma justificativa para os atos mais bárbaros do ser humano. Costumo dizer que o problema existencial mais grave do homem não é de natureza epistemológica, mas sim ética, viver bem ou cada vez melhor esta muito mais relacionado com a forma em que lidamos dia a dia com nós mesmos e o outro do que com algum conhecimento em que poderíamos confiar ser mais verdadeiro. 

                                                                                Philip G. Mayer


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Duas Visões

    Há uma visão que diz o seguinte: aquilo que há de sumamente bom e sumamente mau estão ambos fora do mundo, dispostos em uma realidade metafísica, são dois entes independentes entre si e do mundo, mas que agem no mundo. A partir dessa visão o homem adquire felicidade quando busca o que há de sumamente bom e nega o que há de sumamente mau. Mas há uma outra visão, e que ao meu ver é bem mais realista, que diz o seguinte: tudo que há de bom e mau estão ambos no mundo, são dois entes intimamente dependentes e complementares entre si e não só agem mas também são o próprio mundo incluindo nós mesmos. A partir dessa visão o homem adquire felicidade quando busca o que há de bom e compreende que o que há de mau faz parte nessa busca como um desafio aceito e necessário, haja vista que ao fazer parte do mundo, se o mau é negado então nós é que optamos ir ao seu encontro inevitavelmente, apenas por negar os desafios que o que é bom nos exige aceitar e vencê-los.

                                                                       Philip G. Mayer