quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um Estereótipo do Corrupto


O que é um estereótipo? Talvez um amontoado de características e especificidades que nem sempre (ou nunca) andam juntas em uma aura cultural, e que quando reunidas formam algo único, uma espécie de síntese de toda essa aura, e que concretamente não existe. Um exemplo seria a imagem do típico gaúcho, um cidadão que vive no campo, toma chimarrão todos os dias, come churrasco todos os dias (e não engorda), sabe de cor e salteado todos os poemas gaúchos, é um velho de guerra com mais de 150 anos de idade que lutou em todas as revoluções e está hoje em dia mateando e proseando pra quem quiser ouvir suas histórias. Ou seja, um ser que é impossível existir, mas que reunindo essas e mais outras características do “o que é ser gaúcho” acaba permeando o imaginário do povo sobre autêntico gaúcho. Infelizmente o estereótipo muitas vezes é mal usado pelas pessoas, é empregado de forma pesada e preconceituosa no sentido de que a impressão que alguém tem sobre algo é inflexível, intolerante e ainda vale como verdade para todos os outros, uma completa ignorância que só pode gerar inimizade. Bueno, ao longo do meu crescimento acompanhando notícias sobre corrupção, lavagem de dinheiro y otras cositas más nesse meu Brasil, assim como tendo experiências diversas de vida observando, ouvindo relatos e fofocas, acabei eu formando no meu imaginário uma espécie de estereótipo do corrupto e resolvi relatar agora. Mas lembro de que isso é somente uma impressão particular completamente desprovida de verdade, uma aura imaginária apenas, um monte de coisas que já vi e resolvi reunir em um único texto para olhar e dar risada. Longe de mim ser preconceituoso com qualquer pessoa, meu pensamento se mantém aberto para a infinitude das possibilidades (o mundo é um mistério sempre a nos surpreender e maravilhar). Então vamos rir que a vida é bela! Este senhor que irei relatar logo abaixo não existe, qualquer semelhança realmente é mera coincidência. hehe

O Corrupto 

O corrupto é um cara gordo, com uns poucos chumaços de cabelos na careca penteados para o lado. De estatura ou baixinho ou gigantesco, esta figura possui um rosto redondo com sobrancelhas e orifícios peludos, porém sem barba, apenas um resquício dela por fazer na papada larga e pomposa de que dispõe. Está geralmente sempre meio suado, e quando sorri, mostra apenas as pontas dos dentes superiores em geral mal cuidados que guarda dentro da boca beiçosa. Normalmente na lida veste-se com um terno cinza claro, e por baixo sempre uma camisa branca surrada com o bolso arregaçado cheio de papéis dos mais variados e a carteira de cigarros amassada no meio, sem contar o detalhe do último botão antes de entrar nas calças estar aberto deixando parte do umbigo à mostra. A gravata que utiliza é de pouca qualidade com colorido desbotado. Costuma utilizar muito óculos escuros. Se não está na lida, já prefere uma camisa listrada para fora das calças semi abotoada e de mangas longas onde poderá remanga-las ou não, estará usando calça social se estiver frio. Se estiver calor, a camisa poderá ser de manga curta do tipo listrada (ou floreada se estiver fazendo turismo) mais uma bermuda e chinelos Havaianas branco. Gosta de usar uma corrente minúscula dourada ou prateada no pescoço onde geralmente fica entremeada nos cabelos cacheados do peito. O corrupto aprecia uma cigarrilha ou um charuto cubano, isso se não está acompanhado daquele bom e velho uísque 12 anos, suas compras costumam ser sempre pagas em cheque ou cartão, principalmente depois daquela noitada no restaurante panorâmico com jazz ou bossa ao vivo e também para deixar o hotel cinco estrelas onde consumiu todo o frigobar e deixou um bom trabalho para as camareiras no quarto. Sua forma de se relacionar é um tanto bárbaro-grotesca, ele não fala, ele berra, é um bufão que dá gargalhadas quando ouve uma piada sem graça, adora dar tapão nas costas dos conhecidos, fala pelas orelhas e trai a própria mulher com as mulheres dos amigos. O apartamento dessa personalidade costuma muito ser em beira mar, o prédio onde mora é um condomínio de luxo com no mínimo uns 20 andares de apartamentos com vista para o mar onde mora um monte de velhos aposentados e cadeirantes junto com as enfermeiras e as velhas praguejantes com seus cachorros malditos, aquele verdadeiro paredão de concreto e tijolo plantado na beira da praia para quem vê de longe. Possui portaria 24 horas, manobrista, não tem muito jardim na frente, é mais lajota e pastilha mesmo, tem uma escada e uma rampa para deficientes que sobe até a porta do prédio e os apartamentos todos possuem aqueles tipos de janelões com as vidraças enormes típicos de edifícios dos anos 70 com um sacadão na frente onde entra bastante luz natural para dentro da sala. No ambiente de sua casa, o corrupto costuma ter uma peça onde monta o seu escritório, lá ele tem um mesão gigantesco de madeira com pés bem sólidos e um vidro de um centímetro de espessura por cima dela para não manchar com o copo de uísque, ali ele tem um porta canetas de madeira esculpida em formato de cabeça de cavalo ou de leão. Logo mais ao lado se acha umas prateleiras cheias de livros sobre advocacia, biografia de político e umas garrafas de uísque. A cadeira atrás da mesa é daquelas grandes e caras feitas de couro e com rodinhas, na parede tem aquela espingarda que ele usa quando vai para as temporadas de caça no Canadá ou na Europa, enfim, tudo isso permeado pela bela iluminação natural vinda do sacadão de frente para o mar! Ah, e normalmente o corrupto é sócio de um clube dos ex-alguma-coisa que ele ajudou a fundar e vai com frequência. Ele já “deu um jeito” em um dos presidentes do clube que ele não gastava porque achava muito corrupto e até hoje o clube presta homenagens ao presidente que morreu de causas naturais.

                                                                                         Philip G. Mayer




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