domingo, 4 de novembro de 2012

Jô Soares entrevista Itzhak Perlman

Segue abaixo os dois links da apresentação e logo depois da entrevista de um dos maiores violinistas do século XX, Itzhak Perlman no programa do Jô Soares. A lenda do violino que se sabe lenda, Itzhak sabe que é muito bom e por isso mesmo brilha com a sua grandeza até mesmo em uma entrevista, ele não se apequena, ele cultiva o esclarecimento e a autoadmiração como o motor do seu próprio crescimento, de sua própria glória, justamente a mesma admiração a que temos por ele como o grande mago do violino, e ainda assim, depois quando Jô pede a ele que toque o capricho n. 24 de Paganini (aquele típico pedido para tocar uma obra que ficou conhecida pelo seu caráter virtuoso, e que justamente por ter ficado conhecida ela se torna nada mais que um “pedido simples”, mas que não por isso perde sua exigência colossal de performance), Perlman antes de tocar apenas o trecho inicial da peça se dá ao luxo em demonstrar a sua mais completa humanidade em dizer: “ah não, você não me pediu essa, eu tocava essa quando era jovem, vou tocar um trecho do início” e logo depois de tocar então encerra: “pronto, é o máximo que consigo tocar”. Essa entrevista me afirma aquela importância do cultivo de uma autoconfiança no lidar com a música, o delimitar a si próprio o “sabido bom” e então expressá-lo, ou seja, não reprimir essa vontade com vistas no almejar desenvolvê-la em direção a um desconhecido futuro onde a crença do “tudo sempre pode ser melhor” ao invés de beneficiar, leva àquela cegueira em nome de um grande ideal alhures sabe se lá onde esteja adormecido, como aquela princesa que aguarda o beijo do seu príncipe para então despertar do seu sono encantado... – isso pode até valer para a vida, mas para aprender música é catastrófico! Só traz o desnorteio e aquele inevitável desânimo em continuar. Quando vislumbramos um infinito de possibilidades podemos correr o sério risco de covardemente não sairmos do lugar. Aqui vale aquela frase de Nietzsche: “se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti”. Pois bem, na entrevista Perlman desmistifica até aquelas lendas a respeito de si sobre, por exemplo, ter solado um concerto somente com três cordas do violino porque uma tinha arrebentado... Ele mesmo fala que são mentiras criadas para inspirar. E isso tudo desilude o aprendizado da musica? Para mim é bem pelo contrário, justamente nos mostra que a música está muito mais acessível do que pensamos, ela está ali para que todos possam se achegar, ela é feita por seres humanos como nós e para nós objetivando nos gerar prazer, não lamentações. E até o gênio Itzhak Perlman como ser humano uma vez disse: “pronto, é o máximo que consigo tocar”.  

                                                                                    Philip G. Mayer

http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/itzhak-perlman-se-apresenta-na-abertura-do-programa-do-jo/2215483/

http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/itzhak-perlman-e-um-dos-maiores-virtuoses-do-violino/2215527/

    

3 comentários:

  1. Se me permite, caro Philip. Que peça o Itzhak Perlman tocou na abertura do programa?

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  2. Olá Cacilda, sem problemas, a peça é de Fritz Kreisler: Tambourin Chinois, Op.3 escrita em 1905 com primeira publicação em 1910. Abraço!

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  3. Aqui, Philip, há interpretações dessa peça por Joshua Bell, Leonidas Kavakos, Itzhak Perlman (além do próprio Fritz Kreisler). Uma pena que há certa restrição de conteúdo.

    http://classical-music-online.net/en/production/6176


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