terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade! Uma reflexão sobre a filosofia de Nietzsche


Nessa vida tudo passa... E ainda tudo é passível de questionamento... Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, Já dizia Eclesiastes... Mas por que teríamos de nutrir essas palavras como algo de indigerível eterno vazio dentro de nossas almas? Por que muitas vezes tomamos essas verdades como algo que de tão desesperador chega a nos bloquear e nos prostrar diante do curso de nossa existência nos tornando seres profundamente deprimidos e pessimistas? Pois vos digo que essas verdades não são nada mais que a própria vida em si, o próprio e maravilhoso sentido do existir: Tudo é vaidade e tudo passa! Até as vaidades! Ora, a vida é uma grande vaidade que transborda de pequenas vaidades, e a vaidade é justamente o valor que damos (criamos) para algo, e esse algo então passa a ser nosso orgulho, o nosso sentido de bem estar, o nosso porto seguro que nos dá em si a nossa forma, a forma de nossa vida, o concebível, para a mais pura tranquilidade do nosso espírito! A vaidade é um valor que concebemos para amar algo, quem ama, deu forma e sentido à sua existência, e esse valor com o tempo muda ou não, destrói-se ou não, desenvolve-se ou não, mas o que importa é que o destino desse valor não está em nossas mãos como por muito tempo acreditou que pudesse fazê-lo a nossa vã razão... O destino de tudo ao qual concebemos valor está nas mãos da autonomia invisível de forças da natureza que tem um curso e destino próprios independente de nossa vontade e alhures ao nosso manejo. Aquele que por intermédio da razão tenta estender e afirmar um valor sobre o fio da eternidade começa sem saber a cavar o próprio buraco, e quando a fatalidade destrói esse valor, é aí que a pá desse buraco abre as portas do inferno... Mas digo-vos, quão bondosa é a natureza, ela nos dá a possibilidade de criarmos amor por tudo que nos faz bem, e entendas criar amor com criar valor! A natureza nos dá a maravilha de intuirmos que alguma coisa qualquer que seja possa ser nosso orgulho, a nossa vaidade, o grande porto seguro de nossas almas! Já a razão humana tem sido por excelência a destruidora dessa criatividade inerente ao homem, a desmistificadora das vaidades, a desilusão humana em si com tudo que nos era a mais bela e encantadora fantasia que vestia o sentido da vida, sim, porque o sentido da vida, a razão humana até hoje busca, mas ela ainda não se deu conta que ela mesma é em si infinitamente questionável... E me digam, qual o sentido em algo infinitamente questionável? Não vos parece então que por um instante a fria razão acerca de tudo não tem sentido algum? Mas qualquer vaidade, qualquer orgulho e paixão, também não tem sentido algum... E eu teria toda a razão em dizer isso! Cegos e surdos são os que creem na razão pura como algo a nos salvar daquela tal famosa “dor do existir”, como algo a fazer o progresso e elevação do ser humano e desmistifica-lo até a última raiz do cabelo despudorando-o de toda sua saudável vaidade... Enfim, fazer do homem um ser convencionalmente (digo deploravelmente) feliz. A razão humana tem sido a espontânea sujeira que o homem faz contra si mesmo desprezando-se um tanto mais a cada pequeno valor de seu próprio bem estar que põe abaixo! A cada valor de sentido de vida que “desmistifica”, como se a razão desmistificasse algo... Ela desmistifica? Então me mostra uma máscara que ela retira, e eu vos mostrarei duas novas que ela ganha por baixo tolos da ciência convencional! A razão é um amontoado de frias convenções briguentas entre elas que tateiam perdidas em uma escuridão que elas mesmas se propuseram... E o mundo navega sereno com sua face de infinitas e belíssimas máscaras! Então cultivemos a nossa querida vaidade com o orgulho e a paixão que tanto nos faz bem, protegendo-as como algo fundamental para a sobrevivência, sempre criando, descobrindo novos valores, novos dignos orgulhos segundo a direção invisível da necessidade natural, impondo os nossos próprios limites em prol do nosso bem estar, esse é o carinho, o respeito e a consideração para consigo mesmo, o cultivo do amor próprio e sentido de existir, levemos a sério e orgulhosos a “futilidade” que nos alegra assim como a criança leva a sério ao que chamamos brinquedo, mesmo que tudo isso seja absurdamente questionável pela razão crua, razão que não passa de ser apenas mais uma vaidade, uma vaidade que gira sobre si mesma e teima em querer ser eterna... Mas ela já anda cansada... Pois tudo passa, até as vaidades...

                                                                                          Philip G. Mayer

Mulher da tribo de L'omo, Etiópia: vaidade que colore e dignifica a vida!

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