segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pela Sabedoria Perdida

Há um tipo de sabedoria que séculos atrás era muito natural, cheia de cortejos e honrarias, mas atualmente ela sofre o infortúnio de ter que se mover muito cuidadosa, delicada e silenciosa por detrás de um novo grande e imperioso “saber” o qual tomou o lugar daquele belíssimo reinado. Essa sabedoria injustamente marginalizada que hoje em dia tem que andar escondida por ser facilmente mal interpretada aparenta por vezes ser um “avesso” dessa nova que está muito em voga por aí e que também é extremamente tagarela. A sabedoria que hoje anda muda - que com pesar, lhe resta enfim emudecer - ela hoje só pode ser compreendida com um interesse mais sensível - com ouvidos mais delicados e pacientemente mais atentos do que de costume - pois o novo “saber” engana muito fácil aos desavisados, ele tem um poder mórbido de “desmontar” qualquer coisa com uma linguagem muito rica, mas também muito vazia. Esse novo “saber” que cheio de moral se tornou uma praga presente até hoje surgiu já há alguns séculos também, tomou grande força principalmente no iluminismo, mas muito vagarosamente vem se mostrando cada vez mais como um grande erro através dos tempos e motivador de muitas dores de origens obscuras. Agora mais do que nunca, há um anseio profundo que pressiona pela volta daquilo que abandonamos em nome de todo um suposto “progresso humano”, talvez em um futuro também possamos dizer que por algum motivo alhures ao nosso conhecimento tudo isso tivesse sido necessário... Quem hoje em dia quiser retomar essa sabedoria perdida que em um passado remoto cantava livre e sem nenhum medo, atualmente deverá fazer um exercício monstruoso em si próprio, haja vista que o novo “saber” já anda tão bem mensurado, tão desenvolvido, estruturado e até institucionalizado, ele já nos é tão “lógico, simples e fácil” que eu não seria radical em dizer que se tornou quase um instinto em todos nós... Um instinto que se for definitivo, talvez garanta o nosso fim após um longo e cada vez mais doloroso definhamento... - Esse “saber” enganado que tateia o mundo somente com braços e pernas, carece de mãos e pés... É o que vem tornando cada vez mais doente o homem moderno...

                                                                                     Philip G. Mayer 


 

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