terça-feira, 25 de junho de 2013

O ser humano odeia a corrpupção

Logo abaixo segue um texto do filósofo gaúcho João Batista Mezzomo sobre as manifestações. O filósofo é autor do livro "Quem Tem Ouvidos" publicado pela editora Besourobox, excelente livro que recomendo muito! A clareza das palavras no qual o autor coloca sobre algo tão complexo é justamente o caminho que anseio cruzar cada vez mais em meu blog. Ótima leitura a todos. 


O ser humano odeia a corrupção

"As recentes manifestações que ocorrem não somente no Brasil, mas em todo o mundo, têm em comum o fato de os manifestantes mesmo não saberem dizer exatamente o que querem. Eles querem mudar o mundo, mas que mundo querem e exatamente como alcançá-lo ainda não. Esse fato não é novo, assim como nenhum fato pode ser novo nos dias de hoje. Como já está escrito no Antigo Testamento, "não existe nada de novo sob o sol". Então, essa "rebeldia sem causa" já foi vivida muitas vezes, e uma que vivemos recentemente foi a da chamada contracultura dos anos 60 de século passado, quando jovens deixaram crescer barbas e cabelos e saíram às ruas pregando paz e amor, e um mundo liberto das convenções sociais que nos oprimem. Eles mudaram o mundo? É claro que mudaram, pois hoje nos vestimos e vivemos como nos dá na telha. Mas no início não sabiam exatamente o que queriam, pois o caminho se faz ao caminhar. No entanto, algo do que está por trás da insatisfação de hoje podemos vislumbrar pelas palavras e frases, e um pouco de reflexão mais profunda. As pessoas querem o fim da corrupção. As pessoas odeiam a corrupção. Mas será que se acabarmos com a corrupção atingiremos o que desejamos, e seremos enfim felizes? Não existe nada de novo sob o sol, e o ser humano sempre odiou a corrupção. Eu diria mesmo que a corrupção é o único inimigo que se interpõe no caminho da felicidade plena. E é tão difícil vencê-lo plenamente que a cultura pôs em nossos olhos uma venda, uma espécie de proteção, de tal modo que não conseguimos ver plenamente o que é isso que odiamos, a corrupção, até o dia que pudermos enfrentá-la, e vencê-la. Mas se a cultura pôs em nossos olhos uma venda, antigamente já soubemos o que é nosso inimigo, a corrupção. E esse sentido perdido, pela divisão do mundo em bem e mal, certos e errados - em suma, pela transformação do mundo em "partes", donde a palavra "partidos" – pode ser percebido como um vislumbre quando olhamos para o sentido antigo da palavra corrupção. "A natureza se corrompe" diz esse sentido antigo. E nós odiamos isso. E continuaremos a odiar, e sair para as ruas, e jogar pedras nos vidros, e destruir coisas, até que nossa venda caia, e reconheçamos enfim o destino último do ser humano, o motivo maior de nossa existência: vencer a corrupção. Mas para isso teremos de sair de uma visão de "partidos"

                                                                               João Batista Mezzomo




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