sábado, 10 de maio de 2014

Cultura Faz Diferença

Não se abstrai a cultura do ser humano no fim de definir o que é um ser humano idealizando-o e reduzindo-o apenas às meras propriedades comuns a todos como, por exemplo, comer, dormir, etc. Um homem não sobrevive sem cultura (e provavelmente nenhum ser vivo sobreviveria pois tal suposição foge mesmo à lógica), e esta é que principalmente irá diferir não só em cada sociedade, mas também de indivíduo para indivíduo. Por outro lado, sendo a cultura algo inerente, porém mutável e flexível, não faltaram também ideólogos como religiosos, filósofos e políticos que imaginaram então a possibilidade de um mundo sem conflitos pela via de querer levar a humanidade em direção a cultivar uma só cultura no fim de igualar também esta propriedade para todos, via esta que na maior parte terminaram em barbáries como o nazismo por exemplo. Um dos grandes desafios éticos da atualidade é conciliar as propriedades inerentes ao conceito de homem (incluindo neste sua cultura), juntamente com o respeito e a consideração que merecem, sem idealizações que possam em algum patamar menosprezar quaisquer necessidades de manifestações dessas propriedades ou reduzir o conceito de ser humano a um mero ideal do que é tomado como inerente e comum a todos, pois considerar apenas esses fatores é fazer uma abstração de tantas necessidades mesmo insondáveis e de inúmeras percepções que definitivamente isso não traduz e não da conta de nenhuma realidade, que dirá ainda de alguma “verdade”. Aliás, diria que ao se tratar de realidade humana, abstrair características para definir o que é humano e o que não é vestindo nisso uma roupagem de “verdade” (e muito como de costume popular misturando também junto a isso “bondade” em oposição a um “mal”) é a primeira porta aberta para o fascismo. 

                                                                       Philip G. Mayer 



Nenhum comentário:

Postar um comentário