domingo, 7 de setembro de 2014

O Corpo

O corpo... esse desprezado e esquecido por séculos, tornado mendigo moribundo ou no máximo invólucro para “almas e espíritos” sendo esses dois últimos tratados como únicas verdadeiras relíquias que teríamos e suporíamos serem soberanas e independentes de quaisquer influências do mundo material... ou então tente discordar de um católico medieval ou alguns espíritas atuais para ver o que é bom pra tosse... pra essa gente tu dizer que somos seres influenciados por todos os fenômenos deste mundo daqui mesmo desde a luta de classes marxista até o fedor de cebola que vem do almoço do vizinho, desde a infância corrompida freudiana até a prisão de ventre, desde a vontade de Schopenhauer até o carro que passou pela nossa rua tocando “Belo” a todo o volume, tudo isso soa como uma blasfêmia contra a desesperada ânsia de se crerem espíritos independentes dessas coisas que só mexem com seres “involuídos”, por isso que quando flagrados sob a influência dessas inevitabilidades mundanas ficam ou amedrontados ou furiosos... é a superstição que mais uma vez cai e então desespera... é a crua realidade que mais uma vez patrola o desespero por qualquer verdade metafísica de “ter que haver algo por trás disso tudo e que se soubermos então nunca mais teremos nenhum problema e viveremos felizes para sempre”, nega-se o mundo real em prol de um mundo fictício, acredita-se em contos de fadas, nega-se a natureza inteira em prol de um espelhinho que só venha mostrar a nossa vontade doente e franzina de achar como as coisas deveriam ser a todo o custo, e ai do espelho se tiver defeito! Pois bem, quantas vezes pensamos em alguma coisa ou espectro de coisas, quantas vezes nos movemos em direção a algum lugar ou espectro de lugares, isso durante um dia inteiro, durante um mês, um ano, em um correr dos anos... e uma vez contemplada alguma conclusão aqui, coloquemos ao final ainda aquela palavrinha mágica “por quê?”... esse porquê é o espaço que abrimos agora para que deixemos uma vez o corpo nos falar suas razões, e pode acreditar, na imensa maioria das vezes, ele tem mais razão do que crê a nossa tola razão...

                                                                             Philip G. Mayer


           

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