quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A Causalidade em Nietzsche (Apresentação)

    Estou iniciando hoje uma série de postagens no blog que tratam acerca das acepções de Nietzsche sobre a causalidade. Existem causa e efeito? Sujeito e objeto? Coisa em si? Será que até mesmo algo poderia ser “explicado”? É possível a “verdade”? Sobre tais temas entre outros é que o filósofo transpassa com o seu olhar minucioso característico. E contrariando a visão de muitos físicos ainda hoje - isso por puro desconhecimento filosófico - da imprevisibilidade sobre o comportamento da matéria e por sua vez da dificuldade sobre a delimitação do que é uma “lei natural”, a mecânica quântica que constitui o universo não é necessariamente um assunto restrito a ser concluído apenas sob a rigorosa verificação empírica (como parece ter indicado Moritz Schlick ao final de seu artigo “A Causalidade na Física Atual” onde de forma infeliz tentou propor que as revelações científicas de então por fim separariam definitivamente a ciência do que seria mera “fantasia humana” pelo que teria julgado ser impossível ao intelecto do homem por ele mesmo atingir tais revelações supostamente imperscrutáveis ao universo aparente mais evidente acerca de uma realidade quântica subatômica), mas tal assunto é também possível de uma revelação por intermédio da mais cética e muito lógica especulação livre, e que mesmo qualquer indivíduo desprovido de meios para a experiência empírica poderia também chegar exatamente ao mesmo ponto de acordo (e nesse momento adoraria ver um abraço entre físicos e filósofos), ora, é o que Nietzsche em sua genialidade parece ter demonstrado nos fragmentos póstumos que estarei postando no blog em média duas vezes por semana. O leitor desfrutará aqui de textos do mais alto refino e rigor filosóficos que compõe o cerne (de um ponto de vista epistemológico) da filosofia nietzscheana, a beleza da forma e do conteúdo dos argumentos, o incansável aprofundamento cada vez mais circunspecto no árido jogo das possibilidades, o seu ceticismo (companheiro fiel nessa viagem) como um monstruoso canhão demolidor de preconceitos que abre caminho sobre as realidades mais intangíveis da estrutura e do comportamento da matéria, onde por fim já em níveis subatômicos viria a revelar por sua própria terminologia o que chamaria então sua doutrina e concepção de mundo como um todo: "Vontade de Poder". Pois bem, desejo a todos um ótimo prazer nessa leitura que garanto ser entusiasmante!

                                                                                 Philip G. Mayer

Link para o primeiro post da série: A Causalidade em Nietzsche (1)

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